Quando em busca do propósito da vida, é importante não esquecer que são vários os propósitos.
Quando a Vida existe, o seu propósito existe já.
Quando queres mudar a tua vida para algo com mais sentido, quando queres encontrar o que realmente te realiza, dás-lhe o nome de propósito. No entanto, a busca deste “propósito” nasce da profunda insatisfação sentida acerca da vida que estás a viver. Podes usar essa insatisfação como motor de busca, mas quando a frustração te consome, pode criar uma busca sem sucesso.
Oferecemos este exemplo para desenvolver este tema: a semente de uma laranja está insatisfeita com o facto de ter dado origem apenas a si própria, ou seja, uma laranja no meio de tantas outras laranjas pertencentes à mesma laranjeira, e quer encontrar o seu propósito que sente ser maior do que ser apenas uma laranja. Dependendo da personalidade desta laranja, a mesma pode ser mais impaciente ou paciente, mais activa ou passiva. O seu desejo pode ser tão intenso que amadurece mais rapidamente do que as outras e larga a laranjeira em busca do solo fértil, ou pode ser mais cautelosa e permite que a vida passe por ela até que alguém a colha e a leve para outras paragens, ou pode ainda percorrer um caminho mais lento em que serve de alimento a outros seres até ser depositada no solo. Apesar de estes serem aparentemente caminhos muito diferentes, com ritmos e circunstâncias diferentes, o ponto comum que partilham é a vontade da laranja. Do ponto de vista da Alma e do Amor Incondicional, existem caminhos necessários para a Alma caminhar e cada um é diferente, uns podendo ser mais rápidos e outros mais lentos, devendo-se muito também ao Ser que a laranja é, os seus desafios e como se move na sua vida.
Do ponto de vista do Amor Incondicional, nenhum é melhor ou mais auspicioso, todos encerram a oportunidade de dar frutos, sendo que o sucesso reside na força da vontade interna alinhada com a vontade da Alma. Muitas vezes, quando a vontade se torna impaciência, a incompreensão da não manifestação dessa vontade instala-se e começa a ocorrer uma degeneração ao nível do corpo físico, emocional e mental podendo alastrar ao espiritual, a laranja começa a perder as suas qualidades originais podendo mesmo tornar-se tóxica para outros ou infértil quando chegar o momento de cair no solo. A busca deste “propósito” pode tornar-se uma doença no sentido em que provoca a perda da perspectiva acerca do propósito original e que já existe: o próprio Ser. Para a laranja poder tornar-se um dia uma laranjeira fértil, tem que cuidar de si própria em todos os passos do caminho, para que possa transformar as aprendizagens em saúde e sabedoria. De nada serve tornar-se uma laranjeira fraca que dá origem a outras laranjas frágeis e inférteis. Até pode convencer-se que atingiu os seus objectivos, mas o seu coração sabe que são apenas aparências. Mais do que um quadro pintado na perfeição para convencer outros da sua Evolução, é sentir-se alinhado com a Alma independentemente do que possa parecer aos outros. Não há maior felicidade para o corpo do que a manifestação plena da Alma na vida que é sua neste momento.
Quando a vontade de encontrar o propósito ou o trabalho que a Alma planeou para a tua vida se encontrar vivo dentro de ti, nós podemos ajudar-te criando as circunstâncias, os obstáculos e as facilidades para que possas percorrer esse caminho. Vai chegar o momento em que terás de tomar acções e dar passos de Fé e as oportunidades para tal surgirão na altura mais propícia para dar frutos. Vemos e compreendemos as tuas ânsias, mas lembra-te que, por vezes, desfazer de uma vez só todas as construções externas e internas das decisões que tomaste na tua vida até aqui pode não ser o melhor para a tua Alma, enquanto para outras Almas, esse desfazer possa ser mais rápido ou até abrupto, consoante as circunstâncias da Evolução.
Não há fórmulas certas ou erradas colectivas, mas sim o que resulta para ti e o que não resulta, comparações com outros ou histórias de sucesso ou insucesso de outros para analisar a tua progressão alimenta apenas a Estagnação ou a Pressa. Para a Alma não há Tempo, mas sim oportunidades perdidas ou aproveitadas e a possibilidade de mais oportunidades de Evolução. Aproveitar uma oportunidade de Evolução pode não significar tomar uma acção, mas sim escolher não tomá-la. Lembra-te, não existem fórmulas e conhecer o coração e sentir o seu alinhamento com a Alma faz parte do teu propósito nesta Vida, propósito esse que engloba o trabalho que poderás vir a fazer, sendo que este não é o centro do teu propósito que é muito mais profundo, expandido e infinito que isso.
Estamos contigo.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
domingo, 4 de dezembro de 2011
Lost in Translation
Em dias como este em que tenho a minha Alma a gritar-me ao ouvido linguagens que não consigo perceber, só me apetece gritar de volta: FALA NUMA LÍNGUA QUE EU PERCEBA!
Será que com tantos anos de convivência nesta vida, já para não falar nos prováveis anos de vidas passadas, ainda não chegámos a acordo nesta comunicação?
Vivemos numa Era extraordinária em muitos aspectos, temos novas tecnologias à mercê dos nossos dedinhos curiosos, podemos falar com pessoas do outro lado do mundo que, noutras Eras, nunca saberíamos da sua Existência, temos acesso a um mundo infindável de informações que queremos saber (e outras acerca das quais preferíamos continuar ignorantes), temos supermercados, lojas e uma série de estabelecimentos a brilhar com todos os artigos para a nossa sobrevivência e ainda para levarmos uma vida de consumo intenso de roupas, brinquedos para adultos, mobília e gadgets que funcionam como Valium para as nossas frustrações e falta de sentido.
E, no entanto, nunca chega. Nada disto chega para evitar que cheguem dias destes em que temos a nossa Alma a berrar que não chega, que quer outras paragens, outras descobertas, e preferencialmente, que sejamos nós a desbravar florestas virgens e a sair vergastados pelos ramos insaciáveis de sangue dos aventureiros. O problema cria-se quando olhamos em volta e não há florestas virgens, tudo o que vemos são muros e muros de uma sociedade e papéis perfeitamente definidos, muralhas tão subtis que até os artistas plásticos se vêm envolvidos num rol de criações académicas sem se darem conta que estão a clonar-se uns aos outros. Passámos anos e anos envolvidos nos nossos próprios medos, criando a caixa perfeita onde nos encaixarmos que quando esta se tornou demasiado pequena, enfrentámos os nossos medos, acreditámos que afinal podíamos ser capazes de aguentar os braços ensaguentados e ao abrir os olhos munidos das nossas espadas e chapéus de três bicos fomos confrontados pelo mundo criado por nós e pelos outros: de betão, perfeitamente optimizado, com cadeiras à mesa defronte de etiquetas com o nosso nome para sabermos exactamente onde é suposto sentarmo-nos, com o manual de instruções comportamentais debaixo do braço e um universo de conhecidos e família que sempre nos viram da mesma forma, da forma que projectámos e que, afinal, agora queremos largar.
Talvez crescer e tornarmo-nos independentes não seja apenas uma questão de sair da casa dos pais, arranjar um trabalho para a nossa subsistência, criar uma família e bens e perpetuar o que aprendemos para que o funcionamento continue imparável e mecânico, talvez fazer precisamente isso seja a maior prova que continuamos agarrados às saias da Mãe vivendo com o perpétuo medo da autoridade do Pai. Talvez o que a nossa Alma nos tenta berrar ao ouvido é que temos que largar o ninho, arriscar o frio e encontrar as nossas próprias florestas virgens a desbravar mesmo que isso signifique acreditar em criar algo mais do que as nossas obrigações financeiras, mais do que preencher a nossa vida social e aumentar o nosso conhecimento. E o clique que não está a ocorrer entre a nossa Alma e a nossa Consciência é que nós não conseguimos contemplar nada que não consiga encaixar-se na caixa mental que criámos para nós, não conseguimos pensar em criar algo que não tenha um objectivo específico, algo que não careça de planeamento ou de algum tipo de reconhecimento exterior. A verdade é que precisamos de motivação e esta não parece ter sementes internas suficientemente fortes para nos manter persistentes na criação sem qualquer tipo de incentivo.
E pus-me a pensar mais seriamente nisto, porque actualmente fala-se imenso sobre sermos nós próprios e como o que procuramos não está lá fora, mas sim cá dentro e etc... não quero contrariar estas orientações quando eu própria acredito nelas ou, pelo menos, quero acreditar, mas põe-se o problema: se foi sempre suposto encontrarmos o que procuramos cá dentro, então porque raio nascemos num mundo populado por outros??? Se o nosso propósito é encontrarmo-nos a nós próprios, conhecermo-nos e aceitarmos quem somos e etc... onde cabe o outro aqui?
Por princípio, não acredito em verdades absolutas, porque de cada vez que caí na esparrela de o fazer, a vida veio e deu-me uns certeiros golpes de Kung Fu que me deixaram de cabeça para baixo e pézinhos no ar, por isso quando me alimentam com verdades absolutas, a minha reacção é começar a vomitar o excedente. Não posso crer que num mundo em que quando saio da minha porta, vejo a dona Emília e o senhor António mais o seu cãozinho Adolfo a passear na rua construída por pessoas, num sistema construído por pessoas, num mundo criado por pessoas, mundo esse do qual faço parte, que o meu propósito seja o de me encontrar a mim própria e pronto já está! Estou cada vez mais a favor da comunicação como meio para a evolução individual, colectiva e universal (caso os aliens estejam dispostos a isso, claro, se não estiverem, sem ressentimentos, já temos muitos humanos com que nos entretermos, cá nos amanhamos).
Por isso, talvez o que a nossa Alma nos berra ao ouvido seja: olha um bocadinho para ti, um bocadinho para o outro, fica um bocadinho feliz com a tua vida, fica um bocadinho descontente com a tua vida, cresce um bocadinho para fora desta existência de betão, mas aprende a encontrar a beleza nela também. Parece confuso? Claro que é! É conversa de Alma e por mais Eras que passemos, parece que ainda não chegámos àquela mais importante: a Era em que finalmente traduzimos os berros da nossa Alma em traços claros dos passos a dar no mapa da nossa vida. Até lá, somos todos o menino Joãozinho que por mais que lhe expliquem a equação continua a olhar para o quadro de boca aberta e de expressão confusa.
Assim, em dias como este, só me dá para olhar para cima e, em reposta ao discurso da minha Alma que, apesar de poder ser coerente para um Ser vasto e iluminado, para mim é o caos total, a única sílaba que consigo pronunciar é: Hã??
E, a menos que sejas um dos poucos que acha que “já chegou lá” e consegue tecer discursos muito claros acerca do funcionamento desta Existência ( e se fores, estou a deitar-te a língua de fora!), tenta respirar fundo, consolar-te um pouco sabendo que não estás sozinho e lembra-te ainda que a Alma é teimosa na sua essência, não vai parar de berrar e se tu não parares de tentar perceber, pequenos momentos milagrosos em que ela grita “1 + 1” e tu gritas “2!” acontecem e todas estas batalhas e sofrimentos valem a pena porque tiveste um momento EUREKA e, quem sabe, hoje não é esse dia? :)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
A Vida Pode Ser Surpreendente!
Bem, é oficial: a vida surpreende-nos quando damos o passo em frente lançando para trás das costas aquelas amarras que nos prendiam no mesmo degrau dia após dia!
Nunca me considerei uma pessoa especialmente aventureira (muitas vezes, achava até que era demasiado cagarolas para conseguir ser uma Indiana Jones), mas à minha dimensão pessoal comprovo, para além de qualquer dúvida, o que pode acontecer quando enfrentamos e ultrapassamos os nossos medos um de cada vez. Há decisões que tomei, mais visíveis para o exterior, que podiam ser consideradas as mais relevantes para estes resultados: o salto no vazio, o grito “Jerónimo” enquanto me lançava no desconhecido e depois ao aterrar num terreno cheio de urtigas, amaldiçoar o dia em que me armei em Rambo enquanto esgatanhava a minha urticária! Mas não. Apesar de serem as mais óbvias, não foram, de todo, as mais importantes ou as impulsionadoras da mudança; foram, isso sim, consequências naturais de mudanças interiores, ocorridas antes, aliadas a várias pequenas (grandes!) acções.
Muita tinta é gasta em papel (ou electricidade no PC) a dissertar acerca da importância de olharmos para nós, da necessidade de derrubarmos as nossas ansiedades e receios, de abraçarmos a constante evolução interior… Concordo, mas gostaria de acrescentar que “trabalho interior” ou evolução pessoal não se fazem se continuarmos a não transformar essa energia em manifestação. Compreendo a premissa de que ao evoluirmos internamente, essa evolução irá manifestar-se externamente. Mas, pela minha experiência, este processo não é tão simplista ou directo como poderá parecer à partida. É que há vários tipos diferentes de Medo e, muitas vezes, estes são autênticos mestres na arte do engodo… incluindo fazer-nos acreditar que nem sequer estão lá. Há que admirar o seu engenho! E o maior Medo de todos que encontrei em mim e que observo continuadamente no outro é o medo da Acção. Não estou a falar de reacção que é uma manifestação completamente diferente. Reacção é aquela energia que se manifesta perante circunstâncias/pessoas/acontecimentos que nos obrigam a reagir. São muitas vezes essas reacções espontâneas (ou aqueles padrões de comportamento a que não conseguimos resistir a repetir) que incidem luz sobre o espelho que temos à nossa frente para podermos ver-nos mais claramente. Depois, a decisão de nos olharmos nesse espelho ou fechar os olhos até que a luz desapareça e fiquemos novamente naquela escuridão familiar, é inteiramente nossa! Acção é quando olhamos para a nossa vida e, sem qualquer circunstância ou acontecimento externo a empurrar-nos para tomarmos decisões, em consciência seguimos o nosso impulso interior, mesmo que isso signifique virarmos essa vida do avesso. Mesmo que signifique fazermos algo que anos antes até tremíamos só de imaginar.
Sem dúvida que esta Acção se torna possível de acordo com a nossa evolução interior e através de “trabalho interno” alimentamos essa evolução, mas quando esse estudo alcança o fim de uma etapa, temos duas hipóteses: ignorar o papel de exame que nos puseram à frente e pegar em mais material de estudo ou…respiramos fundo e fazemos o exame. Sabemos que não temos garantias de nada, tudo pode correr muito mal, a magia não vem no dia seguinte a termos feito o exame, a caixa de Pandora abriu-se e não podemos voltar atrás, o futuro é incerto. No fundo, todos nós sentimos que, na maioria das vezes, o processo se passa desta forma e talvez por isso mesmo também nos seja tão difícil ultrapassar o Medo e Agir. E se fosse só um exame… mas não, é mesmo um rol deles e um abre caminho ao próximo. Neste último ano, houve vários desses exames de Acção e alguns deles tiveram um impacto na minha vida que nunca podia imaginar que tivessem. Não, não me trouxeram fortuna, mansão, um cão labrador ou um homem saído de um romance da Jane Eyre, mas trouxeram-me Força, Fogo, Vontade de ir mais além… trouxeram-me Evolução! Foram elas que me permitiram dar o tal salto no escuro, armar-me em Rambo e finalmente vencer a urticária!
Uma dessas pequenas Acções foi este blog. Expôr-me pessoalmente, revelar-me ao mundo, dizer: Ei, sabes aquelas histórias de fantasmas e cenas invisíveis a pairar no ar e as piadas sobre os Anjos que preenchem serões inteiros de gargalhadas e gozo? Pois, fazem parte do meu mundo, eu sinto, vejo e interajo e não há folgas, não há férias e não há como escapar a esta realidade. E, por muito que eu já tivesse aceite que fazem parte do meu mundo, outra coisa completamente diferente é a partilha e a exposição da mesma! E, cada um com as suas circunstâncias pessoais, naturalmente, mas é isso que observo na maioria de nós: vivemos realidades muito próprias, as nossas paixões, os nossos gostos, até a nossa Arte ou Música… mas vivemos prisioneiros desse mundo pessoal. E o nosso maior Medo é o Medo de Agir e rebentar essa bolha defensiva. E o mais extraordinário é que a mais pequena Acção, por muito minúscula que seja, pode ter um impacto em nós tremendo, porque uma das grandes prendas que podemos dar a nós e ao mundo é a Partilha do nosso Ser…e esta só se faz através da nossa Acção! Uma após a outra e, de repente, estamos a tomar Acções e Decisões que nunca imaginámos que iríamos tomar e a vida dá-nos na mesma proporção!
Por isso, é oficial: a vida surpreende-nos quando nós surpreendemos a nossa fragilidade, arrancamos o manto do eremita e nos viramos de frente para o Sol. Se fomos importantes o suficiente para nascer aqui, fazermos parte da vida de outros, sentirmos e criarmos, não desperdicemos uma vida que pode ser louca, incerta, emocionante, comovente, lenta, rápida, excitante, silenciosa, gritante, extraordinária, enervante, maravilhosa… uma vida brilhante!
Ass: uma Indiana Jones improvável
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